terça-feira, 1 de novembro de 2011

 Rosalie estava sentada na mesa de um bar escuro, acompanhada por um copo de cerveja barata, que a esse ponto já fervia, mas o dinheiro para pedir outra era curto e a vontade beirava a nenhuma.
 Ela tentava pensar na vida - e para quem olhasse, ela até aparentava estar fazendo isso - mas sua cabeça estava vazia, de modo que a música indecifrável que estava tocando ecoava lá dentro, a irritando cada vez mais por não ter nem o que pensar.
 O garçom - que mais parecia um pedinte, aliás - encostou na mesa de Rosalie com uma má vontade explicita e disse:
 - Você tá aí sentada a umas duas horas com esse copo de cerveja que já deve estar parecendo mijo.
 - E o que você tem a ver com isso?
 - Acontece que se você não pedir mais nada vai ter que dar o fora, e aposto que você não quer mais beber esse xixi - disse o garçom, apontando para o copo, que agora Rosalie agarrava com tanta força que seria capaz de quebrá-lo.
 - Pra mim está ótima - e então levou o copo a boca e virou toda a cerveja numa golada só - Agora saia daqui e pare de me encher, antes que eu te meta um chute nas bolas.
 O garçom pegou o copo vazio e se arrastou de volta para trás do balcão, que parecia ser tão abandonado quanto o bar inteiro, a não ser pelo próprio garçom que limpava o maldito balcão sem parar. Rosalie percebeu isso com pouco interesse, apenas para preencher sua mente vazia. Não adiantou.
 Mas ainda assim Rosalie estava feliz, apenas por não pensar em nada, por estar vazia. Qualquer coisa era melhor do que lembrar das últimas horas.
 Rosalie não era bonita, não mesmo. Era desproporcional de tudo, não se vestia bem, tinha tetas grandes e uma bunda enorme e caída que ela tentava - fracassando quase sempre - disfarçar com o jeans, o rosto não tinha nada de mais e os cabelos eram normais e sem corte. Mas ainda assim, só Deus sabe porque, ela tinha um charme estranhamente sedutor, e sabia disso, e com certeza usava isso. Mas não hoje.
 Hoje ela queria distância, de tudo e de todos. Queria sair de si, mas não tinha dinheiro para álcool e muito menos para drogas.
 Só lhe restava ficar sentada ali mesmo, naquele bar escuro e fedido, esperando Deus mandar uma luz. Ou quem sabe uma cerveja.

Laressa Paiva

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